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Preço recorde estimula investimentos em renováveis
Na abertura do Fórum Global de Energias Renováveis, no último domingo (18), o barril do petróleo custava US$ 126,29 – esse foi o preço final da commodity na sexta-feira anterior, até então a cotação mais alta da história da Bolsa de Nova Iorque. Na quarta-feira (21), o óleo estava sendo negociado a cerca de US$ 130 no momento em que o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Onudi), o africano Kandeh Yumkella, fazia o discurso de encerramento do evento. Quinze minutos depois, o barril já estava em quase US$ 132, em uma rápida escalada que só terminou aos US$ 133,17 quando o mercado norte-americano encerrou as operações.

Isso significa que, se antes do evento os seguidos recordes do combustível fóssil já eram um forte estímulo à adoção de energias renováveis, ao seu término muitas das fontes alternativas tinham ficado ainda mais viáveis do ponto de vista econômico. “Esses preços são bons para poucas pessoas e ruins para meus irmãos, cujos países dependem da importação de óleo e ainda não tiveram acesso às tecnologias mais limpas e eficientes. A cada nova alta, eles se perguntam: ‘como vamos pagar a dívida?’”, disse o diretor-geral da Onudi. “Precisamos de parcerias para transferência de tecnologia, incentivos governamentais e um maior comprometimento do setor privado. Há pouco, nossos amigos da Índia deram um bom exemplo de como estão financiando esses projetos”, comentou Yumkella, em referência ao último debate do fórum, sobre o cenário financeiro para a energia renovável.

Graças a um consistente programa governamental, iniciado há 27 anos, atualmente 34% da eletricidade da Índia é obtida de fontes renováveis. É uma proporção muito inferior à do Brasil (85%), mas que representa quase o dobro da média mundial (18%). Conduzido pela Agência Indiana de Desenvolvimento de Energias Renováveis (Ireda), o programa estimula a criação de sistemas elétricos locais, principalmente em áreas rurais, e obriga as concessionárias a comprar uma cota mínima da energia produzida. “É uma espécie de mercado forçado. As fontes alternativas exigem um esforço muito maior para serem competitivas”, explicou o diretor da Ireda, Debashish Majumdar.

Como lição para outros países, o executivo apontou a necessidade de uma regulação que inclua incentivos que vão desde a questão das tarifas até o desenvolvimento de infra-estrutura – as áreas pobres e isoladas, que mais precisam de energia, nem sequer têm estradas transitáveis. Além disso, a legislação “não pode mudar o tempo todo”, e é preciso criar instituições inteiramente dedicadas à busca de financiamento para esses empreendimentos, como a Ireda – que hoje administra um portfólio de 1.849 projetos, com mais de US$ 2 bilhões investidos. Desse total, mais de US$ 400 milhões vêm de outros países.

O britânico Steve Dore, chefe executivo da International Innovation Services, deu ênfase à importância de projetos desenhados exclusivamente para comunidades locais. “Com muita freqüência, projetos de larga escala não beneficiam essas comunidades. Se houver o desejo de desenvolvimento econômico, é preciso dar a essas comunidades acesso às técnicas e aos financiamentos.”

Fonte: Gazeta do Povo


Criado em 04/12/2007.
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